Vai ou racha? Fufuca ameaça desembarcar do grupo Brandão; família Sarney cobra fatura do Senado e rejeita Pedro Lucas A sucessão estadual de 2026 segue em modo de alta turbulência para o grupo do governador Carlos Brandão (MDB).
O que parecia uma engenharia política consolidada começou a ruir diante de dois movimentos simultâneos: a muito possível ou já esperada saída do deputado André Fufuca (PP) do projeto brandonista e a ofensiva da família Sarney para ocupar a vaga ao Senado na chapa encabeçada pelo sobrinho, Orleans Brandão (MDB).
Nos bastidores, cresce a percepção de que o deputado federal e ex-ministro André Fufuca está prestes a desembarcar do grupo governista.
Segundo informações divulgadas pelo Imirante, o parlamentar, diante de pesquisas internas, avalia que teria melhores chances de conquistar uma vaga no Senado em uma composição com o pré-candidato ao Governo do Maranhão, Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís.
A movimentação, contudo, esbarra na Federação União Progressista, formada pelo PP de Fufuca e pelo União Brasil, do deputado federal Pedro Lucas Fernandes. Com a possível debandada do ex-ministro, o nome de Pedro Lucas passou a ganhar força como alternativa, pois o governador teria firmado um acordo com a direção nacional em relação ao Senado em troca de apoio ao seu grupo e precisaria cumprir isso.
É justamente aí que surge outro foco de tensão. A família Sarney não demonstra disposição para aceitar Pedro Lucas como candidato ao Senado na chapa governista. Muito pelo contrário.
A deputada Roseana Sarney intensificou as articulações em Brasília, junto ao MDB nacional, para reivindicar o espaço. Nos bastidores, analistas cravam que o entendimento do clã é de que teria chegado o momento de o governador pagar a “fatura política” pelos anos de apoio e pelo comando do partido no Maranhão, recebidos.
Nos bastidores, a avaliação é de que Roseana não pretende recuar. O MDB lançou Orleans Brandão ao Governo do Estado, mas o grupo Sarney entende que a contrapartida natural é a indicação de uma das vagas ao Senado para a hoje deputada federal.
O resultado é um impasse de difícil solução para o Palácio dos Leões. Se Fufuca sair, Brandão perde uma peça importante da estratégia construída, visando à Federação União Progressista. Se optar por Pedro Lucas, enfrenta a resistência aberta da família Sarney.
Se ceder à pressão de Roseana, corre o risco de aprofundar fissuras com aliados que já consideravam o acordo do Senado sacramentado.
A poucos meses das convenções, o recado dos bastidores é claro: a disputa pelo Senado deixou de ser apenas uma definição de chapa e passou a ser o principal teste de sobrevivência política da aliança liderada por Carlos Brandão.
Ou Brandão acomoda interesses que hoje parecem inconciliáveis, ou o risco de rachadura no grupo governista deixa de ser especulação para virar realidade. A semana que se inicia promete.
fonte: Silvia Tereza

