Por Waldir Maranhão:
Depois de anos de retração diplomática, o Brasil voltou a ocupar as mesas onde se discutem os rumos do mundo. Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deixou a posição de espectador para reassumir o papel de protagonista internacional, com a presidência do BRICS em 2025, a criação da Aliança Global contra a Fome durante o G20 no Rio de Janeiro e a realização da COP30 em Belém, no coração da Amazônia.
A nova política externa brasileira tem uma diretriz clara: o chamado não alinhamento ativo. Não se trata de neutralidade passiva, mas da capacidade de dialogar com Estados Unidos, China, União Europeia e países árabes sem abrir mão dos interesses nacionais, buscando investimentos, tecnologia, comércio e oportunidades capazes de gerar emprego e desenvolvimento dentro do país.
- no Maranhão, os reflexos dessa retomada já começam a aparecer de forma concreta.
- o Porto do Itaqui consolida-se como peça estratégica da nova economia global.
Com a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia em 1º de maio de 2026, produtos como a soja de Balsas, o milho do sul do estado e a celulose passam a acessar o mercado europeu com tarifa zero em grande parte das exportações. É o produtor maranhense competindo em igualdade de condições nos mercados internacionais.
- a Aliança Global contra a Fome também deixa de ser apenas discurso diplomático para se transformar em ação prática.
- são recursos destinados à agricultura familiar, cozinhas comunitárias, assistência técnica e políticas de segurança alimentar.
“Quem tem fome tem pressa”, afirmou Lula ao lançar a iniciativa. E o Maranhão, marcado historicamente pela luta contra a insegurança alimentar, surge como um dos territórios centrais dessa agenda.
A COP30, realizada em Belém, também reposicionou o debate climático. A floresta deixou de ser vista apenas como problema ambiental e passou a ser reconhecida como ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável. Para quebradeiras de coco babaçu, extrativistas do açaí e do bacuri, cooperativas e comunidades tradicionais, isso representa novas oportunidades: pagamento por serviços ambientais, acesso a crédito, fortalecimento da bioeconomia e incentivo à pesquisa nas universidades da região.
A retomada da cooperação Sul-Sul também dialoga diretamente com a identidade maranhense.
Com suas raízes africanas e portuguesas, o Maranhão volta a ocupar posição natural de ponte com países como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau em áreas como saúde, educação, agricultura de baixo carbono e formação técnica, abrindo novos espaços para profissionais, pesquisadores e instituições locais.
- no Centro de Lançamento de Alcântara, a aproximação do Brasil com Índia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos amplia as perspectivas de transferência de tecnologia, inovação e geração de empregos qualificados;
- Alcântara deixa de ser apenas promessa e passa a ocupar posição estratégica em um setor que movimenta conhecimento, desenvolvimento e soberania tecnológica.
“O gigante saiu da arquibancada e voltou ao campo”. E quando o Brasil volta a influenciar as regras do jogo internacional, o Maranhão não fica à margem: entra em campo como protagonista, com porto estratégico, riqueza cultural, potencial econômico e vocação para liderar.
Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal, ex-reitor da Uema e membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

